A escassos meses do ano anterior terminar, vocês mataram-me. Tiraram-me a pureza de criança que ainda existia dentro de mim. Aquela essência de acreditar que podia estar tudo bem, mesmo quando tudo estava mal. Eu sabia, não era? Eu sabia que tudo estava mal, mas conseguia acreditar que tudo estava bem, com esforço. E vocês tiraram-me isso. A esperança de algum dia poder matar a inveja que sei que sentia ao ver carinho e sorrisos verdadeiramente apaixonantes dentro de um lar, morreu.
Vocês não me conhecem. Não sabem do que sou feita, aquilo que já ultrapassei sozinha, nem o que o sinto. Vinte anos volvidos e a ideia que têm de mim não é nem metade daquilo que sou. E, agora, sou eu quem não se quer deixar conhecer. Para quê o esforço? Dizem que a esperança é a última a morrer, e até essa já morreu.
Nunca vão entender... A desilusão que senti. Mais do que nunca, agora entendo o poder destruidor de uma mentira. De um engano.
Espero um dia ter paz de espírito suficiente para vos saber perdoar a dor que me deixaram e que sei que nunca vai sair de mim. E não, eu nunca vou ter a conversa dos pontos nos i's convosco. Porque não posso e porque não quero. Infelizmente, sinto que vocês não merecem isso de mim.
Acima de tudo isto, consegui tirar uma lição importante. Sei imensos erros que não posso vir um dia a cometer com aqueles que vou amar incondicionalmente. E, aqueles que cometer, aprendi que vou ter que pedir desculpa. Sim, porque é assim que as coisas funcionam. Com diálogo, com perdão, com sentimento. E não como pessoas que convivem meramente.
Amo-vos.
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