26/01/2013
# roubo repentino.
"Tive medo a partir do instante em que te vi. Sabia que tinhas o hábito de roubar corações e escondi o meu. Eu que nem era nada de andar com o coração sempre ao peito, fui apanhada desprevenida e tu roubaste-o."
18/01/2013
# perdida por sonhos.
Nunca vais saber tudo o que te desejo e tudo o que penso sobre ti quando fico a sós com os meus pensamentos. Nunca vais saber todos os filmes de drama que percorreram a minha mente em dias de medo e todos os contos de fadas contados e narrados nos dias de felicidade. Tu não és um jogo, mas arrisquei tudo em ti e vi a fortuna fugir-me por entre os dedos, sabendo quase desde o início que não poderia ter tanta sorte no mundo quanto aquela que ambicionava. A perfeição que emanas da alma feriu-me a visão, fiquei cega de ti e por ti em três tempos. O tempo de te olhar, o tempo de cheirar o teu aroma e o tempo de te tocar. Toquei-te e agarrei-te como se o amanhã não fosse existir. Sabia que uma ilusão como tu não poderia durar tempo suficiente para repetir a mesma experiência duas vezes. Foste caso único. Um dia, uma noite e tudo passou. Quando acordei, já só restavam as cicatrizes que deixaste nos meus olhos de tamanha cegueira que causaste. Ainda corro atrás de ti de óculos de sol erguidos no rosto e bengala na mão. Mas, quem quer aquela que se feriu e agora demoraria tempo a curar? A paixão é fugaz demais para esperar que uma cicatriz cure. Os apaixonados não sabem esperar, porque a intensidade é tudo e nada ao mesmo tempo. Todos os toques e sentidos alertas, o aviso é lançado e pouco tempo depois já não há nada a fazer. O cupido é rápido demais para os nossos sentidos o impedirem. Quando deres conta, estás presa por um fio invisível ao coração de outra pessoa. E é quando questionas. É quando surgem as primeiras perguntas na tua mente que tu queres voltar atrás. O desejo de nunca nada disso ter acontecido surge trazido pelo medo. Tu não te podes apaixonar, tens medo. E o medo vai superar-te porque mais uma vez não vais lutar contra aquilo que algo intocável te diz para fazeres na tua vida. Recua. Pode não ser a oportunidade certa para amares e mais vale não arriscar. O que tu não sabes é que enquanto não decidires matar com uma faca bem afiada todo esse medo, pessoa nenhuma te trará todas as certezas do mundo guardadas num bolso. Opta antes por uma pistola, um tiro será mais eficaz e menos doloroso, crê-se.
Apaixonada tu já estás e o inegável vai acontecer se matares esse medo. Até onde estás disposta a ir? Serás capaz de te tornar a principal assassina de tudo aquilo que te faz ser ponderada? De todos os medos? Lembra-te que a paixão vai passar rápido. Dois ou três meses e todo o encanto passa. No fim, se o amor não existir, tudo aquilo não passará de mais uma história que chegou e foi-se embora no mesmo ápice. Aqueles dois ou três meses vão agora parecer-te um vazio porque nada foi cimentado. Tu não mataste os teus medos e ninguém te julgará por isso, não era a pessoa certa para ti, dir-te-ão. O que tu não sabes é que, de medos e tiros por dar anda o mundo cheio. Vais ser mais uma pessoa que deixou a vida passar porque não se agarrou. E vais ficar aí, até uma próxima oportunidade do teu olhar se cruzar com o de alguém e aquele fio invisível te voltar a ligar a um outro coração. Quando um dia tentares puxar o fio e perceberes que está agora preso à alma, desiste. Foste vítima do amor e não há volta a dar. Já não estás apaixonada, agora amas. E isso nem dois ou três meses de solidão te irão arrancar do peito, essa força que te mata e faz viver ao mesmo tempo. Rende-te de uma vez. Quantos amores já perdeste por causa daquele tiro ao medo que ficou por dar? Não tentes voltar atrás, é tarde demais. Puxas o fio e com ele vem junto a alma da pessoa do outro lado. O amor, gostas dele?
Mas... O que te esqueceste, é que estás cega desde o início e a bengala continua do teu lado para poderes andar sem ir contra nada. Foi só um sonho. É hora de acordares, vestires o teu sorriso de sexta feira e seguires a tua vida mais um dia. Quando a noite chegar, voltarás a sonhar.
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