27/06/2013

# gosto dos teus caracóis.


O frio da noite é cortante, magoa-me os lábios. Estão secos e ressentidos da falta que sentem dos teus. Como se fosses o curativo para cada ferida que eles ganham no inverno.
Quis tanto tempo libertar-me das correntes que me prendiam àquele passado tão teimoso, que me esqueci que o presente estava a acontecer diariamente, que passava por mim e eu não lhe dava atenção. Foste o meu despertador dos dias de sol, mesmo que fora de casa a chuva fosse torrencial. Os meus dias de sol. O quente do meu peito. Um verão personalizado só para mim. Diz-me, foi a minha prenda de anos atrasada?
As correntes que me prendiam, partiram-se em mil pedaços. Pedaços esses que eu não tenciono ir a correr colar, por saudades. Porque não as sinto. Não sinto falta daquilo que vivi. Por ser isso mesmo, o que vivi. E não o que vivo.
O meu dicionário apagou os tempos verbais do passado, não os uso por não ter essa necessidade.
Deita a tua cabeça no meu ombro e descansa, assim, no meu aconchego. Esquece que o mundo lá fora consegue ser cruel, quando quer. Aqui, isso não existe. Não aqui, não nos meus braços, não no nosso aconchego.
Fazes-me ser doce. Gosto de ti.