21/08/2013

peço-te em segredo que não vás.

O teu avião parte dentro de horas, e os teus caracóis vão para longe. É tão egoísta eu desejar, no fundo de mim, que não vás, quando eu sei que tens que ir. Quero adormecer, quero adormecer e esquecer-me que estás de malas feitas com rumo a outro país, de novo. Quero esquecer-me que as horas estão a passar e tu já dormes, para aguentares amanhã a ida para o aeroporto.
Provavelmente amanhã ao fim do dia estarás a ler isto. Provavelmente vais aperceber-te que chorei a tua partida, mesmo antes de partires. Não quero dizer-te... Mas tu vais saber. Tu conheces. Tu entendes-me. E é isso que dói em estares longe. É seres quem quero perto.

24/07/2013

quando eu quero e a cabeça não quer.

Nunca aceitei a tua morte. Não o soube fazer e não sei se alguma vez o saberei. Ainda hoje choro por ti. Lágrimas pesadas e grossas que eu insisto em controlar, mesmo sabendo que não consigo. Que me peçam tudo, menos que eu não chore por ti, pois não consigo cumprir.
Não me lembro da cor dos teus olhos, e isso magoa-me. Mas, sei todos os teus traços de cor, como usavas o cabelo curto e como isso te fazia o rosto bonito, o teu sorriso discreto mas doce ao mesmo tempo. O teu olhar ternurento. As tuas mãos. As tuas mãos eram o que mais gostava em ti, porque só elas me sabiam acarinhar o rosto daquela forma tão única.
Quantas saudades me percorrem o corpo neste momento...
Não te sei dizer adeus. Não sei chorar a tua morte e pôr uma pedra no assunto para poder seguir em frente. Fazes-me falta e ao fim de tantos anos eu ainda não sei lidar com isto.
Nunca te quis contar como é que as coisas estão agora na minha vida, sabendo que te iria entristecer olhar para tudo o que criaste e ver que já nada é como antes.
E quando há dias vi uma imagem que dizia "Existem duas soluções pra tudo nessa vida: O tempo e o foda-se." só me apeteceu queixar-me ao tempo com um foda-se.
Foda-se tempo, que nunca te trouxe de volta. Foda-se tempo, que nunca me deixou ultrapassar isto.
Desculpa as asneiras, amo-te.

14/07/2013

e no fim?

Quando te apaixonares, esquece lá o resto. Vais esquecer o teu norte e o teu sul, apesar do sol continuar a nascer do mesmo lado e a pôr-se no oposto. Vais esquecer como era fácil ser uma pessoa fria e desapegada. Vais esquecer a quantidade de horas de sono perdidas, só por mais um minuto a falar com a tal pessoa. Não importa o quão vais tentar prever ou controlar as coisas, elas vão-te fugir do controle. Não vais saber prever o próximo passo porque vais viver dias intensos e, muitas das vezes espontâneos. E quando te sentires nas nuvens por causa de um simples sorriso? Cuidado, aí o caso está a ficar grave.
Mas esquece a parte bonita. Essa é sempre fácil.
Lembra-te das noites passadas em claro com lágrimas pesadas a caírem-te dos olhos, lembra-te da angústia que foi naquele dia em que ficaste sem lhe falar porque vocês tinham discutido, ainda que a discussão tenha sido parva e sem sentido. Lembra-te na mesma. Lembra-te dos pequenos sinais que te revelavam medo. Lembra-te dos momentos em que quiseste dormir depois de um dia mau e não conseguiste. Lembra-te dos dias em que sair da cama, nem que fosse para ir almoçar, era algo doloroso porque só estavas minimamente bem quando te refugiavas nos cobertores e na tua almofada e nem isso te era totalmente suficiente.
Lembra-te essencialmente dos esforços. Das palavras que deste, das atitudes que tomaste, de tudo o que fizeste para e por essa pessoa. E que se calhar no fim não serviram para que conseguisses mudar ou melhorar nada.
E se no fim de tudo isto que ainda te lembras, quiseres ficar ao lado dessa pessoa... Então esquece tudo. Estás mesmo in love.

10/07/2013

a vocês, e só a vocês.

Gostava de um dia ter a coragem necessária para me sentar, deixar tudo o resto, e ter a conversa que sei que falta. Aquela que eu sei que iria pôr todos os pontos nos i's que faltam, mas também aquela que eu sei que me iria transformar numa pedra de gelo. E não quero. Não quero, nem tenho a coragem que é precisa.
A escassos meses do ano anterior terminar, vocês mataram-me. Tiraram-me a pureza de criança que ainda existia dentro de mim. Aquela essência de acreditar que podia estar tudo bem, mesmo quando tudo estava mal. Eu sabia, não era? Eu sabia que tudo estava mal, mas conseguia acreditar que tudo estava bem, com esforço. E vocês tiraram-me isso. A esperança de algum dia poder matar a inveja que sei que sentia ao ver carinho e sorrisos verdadeiramente apaixonantes dentro de um lar, morreu.
Vocês não me conhecem. Não sabem do que sou feita, aquilo que já ultrapassei sozinha, nem o que o sinto. Vinte anos volvidos e a ideia que têm de mim não é nem metade daquilo que sou. E, agora, sou eu quem não se quer deixar conhecer. Para quê o esforço? Dizem que a esperança é a última a morrer, e até essa já morreu.
Nunca vão entender... A desilusão que senti. Mais do que nunca, agora entendo o poder destruidor de uma mentira. De um engano.
Espero um dia ter paz de espírito suficiente para vos saber perdoar a dor que me deixaram e que sei que nunca vai sair de mim. E não, eu nunca vou ter a conversa dos pontos nos i's convosco. Porque não posso e porque não quero. Infelizmente, sinto que vocês não merecem isso de mim.
Acima de tudo isto, consegui tirar uma lição importante. Sei imensos erros que não posso vir um dia a cometer com aqueles que vou amar incondicionalmente. E, aqueles que cometer, aprendi que vou ter que pedir desculpa. Sim, porque é assim que as coisas funcionam. Com diálogo, com perdão, com sentimento. E não como pessoas que convivem meramente.

Amo-vos.

27/06/2013

# gosto dos teus caracóis.


O frio da noite é cortante, magoa-me os lábios. Estão secos e ressentidos da falta que sentem dos teus. Como se fosses o curativo para cada ferida que eles ganham no inverno.
Quis tanto tempo libertar-me das correntes que me prendiam àquele passado tão teimoso, que me esqueci que o presente estava a acontecer diariamente, que passava por mim e eu não lhe dava atenção. Foste o meu despertador dos dias de sol, mesmo que fora de casa a chuva fosse torrencial. Os meus dias de sol. O quente do meu peito. Um verão personalizado só para mim. Diz-me, foi a minha prenda de anos atrasada?
As correntes que me prendiam, partiram-se em mil pedaços. Pedaços esses que eu não tenciono ir a correr colar, por saudades. Porque não as sinto. Não sinto falta daquilo que vivi. Por ser isso mesmo, o que vivi. E não o que vivo.
O meu dicionário apagou os tempos verbais do passado, não os uso por não ter essa necessidade.
Deita a tua cabeça no meu ombro e descansa, assim, no meu aconchego. Esquece que o mundo lá fora consegue ser cruel, quando quer. Aqui, isso não existe. Não aqui, não nos meus braços, não no nosso aconchego.
Fazes-me ser doce. Gosto de ti.

26/04/2013

# ela, sou eu.




Dormia com os estores das janelas do quarto abertos, gostava de sentir a claridade entrar-lhe pela janela mal o sol começava a raiar. Até porque conseguia dormir, mesmo com o quarto repleto de luz. De verão, um lençol a tapar-lhe metade das pernas bastava-lhe, mas necessitava dele. Dormir sem sentir nada por cima, fazia-lhe confusão. Claro que de noite, onde já não ia o lençol, espalhado pelo fundo da cama ou até mesmo pelo chão. Ninguém lhe podia tirar a sua - tão preciosa - almofada. Não sabia dormir sem ela. Como é que se dorme sem um amparo para a cabeça? Claro que na falta de um peito aconchegante onde encostar a cabeça e relaxar no mundo dos sonhos, a almofada lá lhe fazia os confortos possíveis. Quando se deitava com pouco sono, era frequente rodar a almofada de lado para lado, à procura da parte "fresca". Até no inverno. Podia dormir com cobertores até ao pescoço, mas sufocar-lhe a cara com calor, não! Sabia mal. Não ressonava, diziam-lhe.
O seu quarto era o refúgio das suas inquietações. Não passava lá muito tempo, até eram raras as vezes em que passava horas e horas lá. Mas... Quando o sufoco para chorar apertava até não dar mais, corria discretamente para lá, para que ninguém a visse ou ouvisse naquela imagem de fraqueza.
Não gostava que a vissem chorar. Não gostava de chorar em frente a ninguém, porque as reações eram sempre duas: ou nunca ninguém sabia o que dizer, ou começavam a chorar também. E odiava fazer alguém chorar, fosse quem fosse. Só houve uma vez em que chorou conscientemente à frente de outra pessoa, deixando o sufoco cair todo ao chão, ali, naquele momento. Nunca se arrependera.
Tantos tiques e manias em tão pouco tempo. Um dia conto-vos mais sobre ela. Porque ela? Sou eu.

14/04/2013

# um dia, a verdade vai-te magoar.



Não queria ser eu a dizer isto, nem queria dizer de forma tão fria algo que, no fundo, é cruel. Mas... Tu vais ficar sozinha, sabias? Porque enquanto as tuas promessas não passarem de palavras ditas ao vento, tu não vais ser ninguém com palavra de valor. Vais continuar a abandonar todas as pessoas que gostam de ti e que querem cuidar de ti. E, no fim, vais perceber quantas vezes devias ter-te mantido fiel ao que dizias, e cuidar realmente daquilo a que chamavas de amizades.
Uma amizade nunca vai ser uma estrada de uma via só. É suposto existirem duas, para que as pessoas possam prosseguir lado a lado. Agora explica-me, porque é que insistes em manter apenas uma via? Já alguém te explicou que quereres fazer tudo como te apetece, dá mau resultado? As pessoas não vão estar sempre predispostas a serem usadas por ti, a estarem lá apenas quando tu entenderes que lhes deves dar um pouco da tua tão efémera atenção. O mundo não gira à tua volta, pequena. E receio que no dia em que perceberes que vais perder as pessoas definitivamente da tua vida, te vais lamentar. E aí? Aí vai ser tarde demais. Porque mesmo eu não acreditando em "tarde demais", as pessoas aprendem a dizer "Chega.". E esse vai ser o teu fim.


E porque na amizade também há amor,
ficas a saber que me partiste o coração.
(Pela última vez.)

26/01/2013

# roubo repentino.

"Tive medo a partir do instante em que te vi. Sabia que tinhas o hábito de roubar corações e escondi o meu. Eu que nem era nada de andar com o coração sempre ao peito, fui apanhada desprevenida e tu roubaste-o."

18/01/2013

# perdida por sonhos.



Nunca vais saber tudo o que te desejo e tudo o que penso sobre ti quando fico a sós com os meus pensamentos. Nunca vais saber todos os filmes de drama que percorreram a minha mente em dias de medo e todos os contos de fadas contados e narrados nos dias de felicidade. Tu não és um jogo, mas arrisquei tudo em ti e vi a fortuna fugir-me por entre os dedos, sabendo quase desde o início que não poderia ter tanta sorte no mundo quanto aquela que ambicionava. A perfeição que emanas da alma feriu-me a visão, fiquei cega de ti e por ti em três tempos. O tempo de te olhar, o tempo de cheirar o teu aroma e o tempo de te tocar. Toquei-te e agarrei-te como se o amanhã não fosse existir. Sabia que uma ilusão como tu não poderia durar tempo suficiente para repetir a mesma experiência duas vezes. Foste caso único. Um dia, uma noite e tudo passou. Quando acordei, já só restavam as cicatrizes que deixaste nos meus olhos de tamanha cegueira que causaste. Ainda corro atrás de ti de óculos de sol erguidos no rosto e bengala na mão. Mas, quem quer aquela que se feriu e agora demoraria tempo a curar? A paixão é fugaz demais para esperar que uma cicatriz cure. Os apaixonados não sabem esperar, porque a intensidade é tudo e nada ao mesmo tempo. Todos os toques e sentidos alertas, o aviso é lançado e pouco tempo depois já não há nada a fazer. O cupido é rápido demais para os nossos sentidos o impedirem. Quando deres conta, estás presa por um fio invisível ao coração de outra pessoa. E é quando questionas. É quando surgem as primeiras perguntas na tua mente que tu queres voltar atrás. O desejo de nunca nada disso ter acontecido surge trazido pelo medo. Tu não te podes apaixonar, tens medo. E o medo vai superar-te porque mais uma vez não vais lutar contra aquilo que algo intocável te diz para fazeres na tua vida. Recua. Pode não ser a oportunidade certa para amares e mais vale não arriscar. O que tu não sabes é que enquanto não decidires matar com uma faca bem afiada todo esse medo, pessoa nenhuma te trará todas as certezas do mundo guardadas num bolso. Opta antes por uma pistola, um tiro será mais eficaz e menos doloroso, crê-se.
Apaixonada tu já estás e o inegável vai acontecer se matares esse medo. Até onde estás disposta a ir? Serás capaz de te tornar a principal assassina de tudo aquilo que te faz ser ponderada? De todos os medos? Lembra-te que a paixão vai passar rápido. Dois ou três meses e todo o encanto passa. No fim, se o amor não existir, tudo aquilo não passará de mais uma história que chegou e foi-se embora no mesmo ápice. Aqueles dois ou três meses vão agora parecer-te um vazio porque nada foi cimentado. Tu não mataste os teus medos e ninguém te julgará por isso, não era a pessoa certa para ti, dir-te-ão. O que tu não sabes é que, de medos e tiros por dar anda o mundo cheio. Vais ser mais uma pessoa que deixou a vida passar porque não se agarrou. E vais ficar aí, até uma próxima oportunidade do teu olhar se cruzar com o de alguém e aquele fio invisível te voltar a ligar a um outro coração. Quando um dia tentares puxar o fio e perceberes que está agora preso à alma, desiste. Foste vítima do amor e não há volta a dar. Já não estás apaixonada, agora amas. E isso nem dois ou três meses de solidão te irão arrancar do peito, essa força que te mata e faz viver ao mesmo tempo. Rende-te de uma vez. Quantos amores já perdeste por causa daquele tiro ao medo que ficou por dar? Não tentes voltar atrás, é tarde demais. Puxas o fio e com ele vem junto a alma da pessoa do outro lado. O amor, gostas dele?
Mas... O que te esqueceste, é que estás cega desde o início e a bengala continua do teu lado para poderes andar sem ir contra nada. Foi só um sonho. É hora de acordares, vestires o teu sorriso de sexta feira e seguires a tua vida mais um dia. Quando a noite chegar, voltarás a sonhar.